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Nota de Pesar - Orlando de Salles Senna

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A Universidade Federal da Bahia lamenta profundamente o falecimento do cineasta, escritor, jornalista, gestor cultural e Doutor Honoris Causa da UFBA Orlando de Salles Senna. Orlando faleceu no Rio de Janeiro, na tarde desta terça-feira, dia 09 de junho, aos 86 anos. Ele recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFBA no Salão Nobre do Palácio da Reitoria da UFBA, no dia 4 de novembro de 2024.

Orlando Senna nasceu no distrito de Estiva, hoje Afrânio Peixoto, município de Lençóis, em 25 de abril de 1940. O pai envolvido com a política e sua mãe com o teatro amador são exemplos fundamentais para a construção da sua biografia. Quando chega em Salvador, Orlando participa intensamente da vida político-cultural da virada dos anos 50 para os 60 no Brasil e na Bahia, onde ocorre uma verdadeira revolução cultural na qual, a UFBA, onde Senna estuda teatro e direito, abre espaços para uma produção acadêmica efervescente. Matéria publicada no Portal UFBA, em 03/11/2024, destaca a importância de Orlando Senna, que levou à concessão do título pela UFBA:

A proposta de concessão do título foi do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Prof. Milton Santos (IHAC/UFBA), a partir do professor Albino Rubim. “Orlando Senna, ao ser múltiplo, articula de maneira primorosa a criação de obras artístico-culturais e a criação de notáveis políticas culturais. Sua capacidade de envolvimento qualificado com diversas áreas culturais é um dom raro”, afirma.

“Orlando Senna faz parte de uma brilhante geração de alunos da UFBA, que viveram a universidade de modo multidisciplinar, como se diz hoje, experimentado e misturado as mais diversas áreas de artes, cultura e conhecimento” declara a professora Linda Rubim, da Faculdade de Comunicação, coautora, junto com Rubim, na construção do Memorial escrito que foi apresentado ao Conselho Universitário da UFBA, para apreciação da proposta de concessão do título de Doutor Honoris Causa a Orlando Senna, o que agora se concretiza.

Para o professor de teatro, dramaturgo e escritor Raimundo Matos de Leão, “Orlando Senna é reconhecido para além das fronteiras da Bahia, lugar em que dá início à sua ação na área da cultura e da arte. Sua atuação no teatro de Salvador na década de 1960 resulta do projeto implantado pelo Reitor Edgard Santos, dando suporte a uma geração de jovens e ampliando o campo cultural. Em seu currículo, Orlando Senna registra uma série de ações no cinema e no teatro. Coube a ele a encenação de “A Companhia das Índias”, texto de Nelson de Araújo, levando para a cena elementos do Tropicalismo e atualizando o enfoque político para o contexto da época. Outra encenação de sua lavra é “O Gonzaga”, do poeta Castro Alves. Ao retirar o texto do esquecimento, Senna introduziu elementos que dialogavam com o presente, estabelecendo comunicação mais efetiva com o público. É relevante a contribuição do diretor teatral e cineasta para a afirmação das linguagens no cenário baiano-brasileiro”, opina o professor.

O produtor Roberto Santana relembra o convívio com o companheiro e amigo homenageado: " Nos conhecemos desde sua chegada vindo das alturas da Chapada (Lençóis). Anos 60 do século passado. Daí em diante formamos juntos em muitas lutas. No CPC, no Vila Velha, no Nós por Exemplo, no jornal IC, na Fundação Teatro Castro Alves, na montagem da peça Marília de Dirceu no próprio TCA, nos churrascos em sua residência na Pituba antiga, na irmandade da vida. E nesta vida, ambos oitenta anos e pedaços passados, venho dar-te um abraço grande e apertado.

Orlando Senna dirigiu, escreveu e produziu obras que marcaram a cinematografia nacional, entre elas o clássico Iracema, Uma Transa Amazônica, codirigido com Jorge Bodanzky e reconhecido internacionalmente por sua crítica aos impactos sociais da ocupação da Amazônia durante a ditadura militar. Além da produção artística, teve papel fundamental na formulação de políticas públicas para o audiovisual. Foi secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura entre os anos de 2003 e 2007, durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, liderando iniciativas voltadas à democratização do acesso aos recursos públicos para o setor. Também foi diretor-geral da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e participou da implantação da TV Brasil.

A UFBA se solidariza com familiares, colegas e amigos de Orlando Senna, desejando que encontrem conforto e serenidade diante desta perda irreparável.

 

Foto: @Evaldo Macedo / Divulgação / EBC